Por: Luiz Felipe Stevanim – Radis Comunicação e Saúde – Fiocruz – Instituições segregam pessoas que fazem uso de álcool e drogas, violam direitos e são uma ameaça às conquistas da Reforma Psiquiátrica.
Privação de liberdade, imposição religiosa e violências físicas: essas são algumas das denúncias registradas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) em relação às CTs.

Eduardo Real havia acabado de chegar do trabalho, em 2011, quando se viu sequestrado dentro de sua própria casa e levado por um pastor evangélico para um destino desconhecido. Semanas antes, ele decidiu pedir ajuda à família por conta de problemas com o uso de cocaína. Não imaginava que a “ajuda” viria em forma de ruptura violenta com sua rotina e seus laços afetivos. Arrastado contra a vontade, sem respostas sobre o local para onde era conduzido, ele se deparou pela primeira vez com uma comunidade terapêutica.
“Fui internado involuntariamente, mediante sequestro. Acordei dentro de uma instituição, na cidade de Cotia (SP), numa área bem rural. Meses depois que fui entender onde eu estava”, conta. Ao despertar, o rapaz de 24 anos se descobriu em um galpão com outros 80 homens, de idades variadas. Os internos eram acomodados em beliches, separados por cerca de um metro. No local, havia apenas uma porta trancada e janelas com grades.
Naquele ambiente abafado, Eduardo passaria os próximos nove meses de sua vida. “Lá fedia muito. No fundo tinham três banheiros, sem porta, porque alguém já havia se suicidado lá dentro. A gente fazia ‘necessidade’ na frente de todo mundo”, relembra. Ao lado dos banheiros, ficava o local que ele mais temia: o quartinho de oração, onde eram aplicadas as punições. “Um dos castigos era espancamento, ou manter a pessoa isolada escrevendo versículos, ou sem poder comer e dormir. Outro era a privação de sono: ligavam uma caixa de som com música evangélica e a pessoa não podia dormir por um ou dois dias”.
Leia a matéria completa 18/05/2026





