Por Cláudia Braga, para sua coluna em Outra Saúde Durante o mês de setembro circulou nas redes sociais a seguinte frase: “Sabe o que seria mais efetivo para prevenção do suicídio do que a campanha setembro amarelo? O fim da escala 6×1”.
É uma boa provocação porque revela um equívoco frequente quando se trata do tema de prevenção ao suicídio: associá-lo diretamente a um diagnóstico de transtorno mental – e, como amplamente recordado nas redes, essa campanha é uma criação da Associação Brasileira de Psiquiatria. Um dos problemas dessa associação é que a compreensão e a resposta ficam constritas nos mesmos termos da formulação do problema: se a questão se restringe a uma epistemologia da psiquiatria, a resposta será relativa ao que a psiquiatria pode oferecer.
Mais do que ações como o Setembro Amarelo, o acúmulo da reforma psiquiátrica mostra que precisamos de políticas, serviços e comunidades que cuidem das pessoas. E de medidas por uma vida digna – como o fim da escala 6×1.
Tratar apenas como correlatos ou secundários o contexto econômico e social faz com que se retire da centralidade o próprio contexto de vida das pessoas, e as respostas para as desigualdades econômicas e sociais também passam a ser secundárias. Além disso, a experiência de sofrimento não é o mesmo que um diagnóstico de transtorno mental: o uso de uma ou outra expressão não se dá por mera escolha ideológica. Reduzir a experiência de sofrimento de alguém em sua relação com o corpo social a uma categoria de doença, como nos ensinaram os autores da perspectiva teórico-prática da desinstitucionalização, é operar pela simplificação, descontextualização e objetificação de existências.







