Festival Viramundo

Entrevista com Leonardo Leal e Márcia Henning, idealizadores do Festival Viramundo.

Leonardo Leal – Eu sou terapeuta no Centro de Convivência da Anankê (Clínica de Psiquiatria e Psicologia de Brasília). Vim da área da educação. Depois que comecei a trabalhar na clínica, fiz uma especialização em saúde mental e estou ali no Centro de Convivência desde 2019. Trabalho, desde sempre, com projetos culturais e sociais. São eventos voltados para a infância, que unem cultura popular, educação e, agora, conseguimos juntar a cultura popular, a arte e a saúde mental.  

Marcia Henning – Sou psicóloga e uma das diretoras da Anankê.  Agora em outubro, a gente completa 34 anos de funcionamento. Foi o primeiro hospital-dia de Brasília. O DF sempre foi muito carente de CAPS e outros serviços de atendimento na área da saúde mental. Tenho formação em psicodrama. A gente fez uma companhia teatral aqui dentro com os usuários, que já se apresentaram em vários lugares da cidade e fora de Brasília. Desde o nascimento da Anankê, a gente trabalha com arte como recurso de cuidado e convivência. O Léo se juntou a equipe em 2019. Tudo que a gente fez até hoje com teatro foi com recurso próprio. Esse é o primeiro festival, mas queremos ele se repita cada ano, que tenha novas edições.

Como é que surgiu a ideia desse festival?

Léo – No Centro de Convivência do Hospital-Dia, a gente trabalha muito com arte e com diversas linguagens artísticas. Então, o teatro ali é muito forte. Tem também a atividade de corpo, que também sempre produz alguma apresentação, alguma cena, alguma performance. A gente tem atividades de música e ateliê de artes.

A gente também já organizou pequenos saraus muito alinhados com a perspectiva da luta antimanicomial. Temos também uma proximidade com muitos outros coletivos e instituições de Brasília, que fazem trabalhos nessa linha e todos se utilizam da arte como uma linguagem muito potente. É o pessoal da Inverso, na Asa Norte, do Caps do Paranoá, o “Atravessa Porta”, o “Maluco Voador”, o Caps Paranauê. São pessoas que também estão sempre por aí promovendo ações, encontros e exposições. Acho que, a partir de tudo isso, pensamos em algo que pudesse ampliar todo o trabalho que a gente já vem fazendo há muito tempo com essas instituições. Então, veio a ideia de um festival.

A gente tem aqui em Brasília um evento que já acontece há algum tempo, que é muito bom também. É o EDA, o Encontro da Arte, que reúne muitas pessoas. No entanto, a gente pensou em algo que pudesse ser levado para o meio da cidade, para o meio do povo, onde tivesse uma circulação heterogênea, diversificada e por isso, escolhemos a Torre de TV.

Marcia – Até porque a gente propõe rodas de conversa e letramento em luta antimanicomial, letramento em saúde mental. A ideia da Torre foi justamente essa, um lugar de ampla circulação onde a gente pudesse alcançar a população em geral para pensar sobre a questão da saúde mental. Afinal, ainda existe muito estigma hoje.

Já tivemos muitas Iniciativas junto com esses coletivos daqui de Brasília, mas em âmbito menor. O Festival marca também essa força e a possibilidade de retomada da circulação pela cidade, da presença na cidade e da resistência. A resistência a gente nunca teve longe dela.

Como foi a abertura do festival?

Foi com bastante força mesmo. Eu acho que evidenciou o potencial que os coletivos aqui de Brasília têm, principalmente em produções artísticas na área da saúde mental. Também acho tão importante que o movimento lute por um outro modelo de cuidado na saúde mental, antimanicomial, mais humanizado e isso se refletiu em todo o percurso do Festival. Fora as pessoas da equipe de produção, muitas outras chegaram pra somar. Pessoas voluntárias, pessoas que estavam por ali. O fato de a gente ter realizado na Torre de TV, foi uma escolha muito assertiva, interferindo no cotidiano das pessoas que normalmente circulam naquela área.

Uma coisa me chamou a atenção. Mesmo quando a gente não estava com atividades, muitas pessoas iam lá ou pra ficar no ambiente, ou pra olhar a exposição dos estandartes. Então, essa era a ideia, de ser um espaço de convivência. Assim, o festival foi muito bem-sucedido em todas as camadas.

Foi um evento que aconteceu de uma maneira muito tranquila, muito harmoniosa. Todos os participantes e o público interagindo muito, se interessando muito, apoiando. Em diversos momentos, tivemos que mudar a dinâmica dos espaços. No final do dia, na hora de fechar, a gente convidava o público para ajudar, todo mundo muito disponível, tanto pelo tema, que já é muito sensibilizador, quanto pela beleza, no seu sentido mais profundo que o festival conseguiu propiciar. Então, as pessoas ficavam muito tocadas pelas apresentações, pelos conteúdos, pela própria estética, pela ambientação. Foi criado um ambiente de pertencimento para todo mundo que chegava ali.

Márcia – O evento superou muito minha expectativa, tanto da beleza das produções apresentadas, com muito apelo estético, mas também com a possibilidade de convivência. Montamos um espaço de convivência onde todos foram bem-vindos. Houve, de fato, uma circulação grande de pessoas e uma participação muito importante. Pessoas que acrescentaram muito nas suas falas nas rodas de conversa. Então, achei que foi de uma potência enorme, enorme mesmo.

Vamos tratar de cada evento. No sábado, vocês começaram com a vivência corpo-lúdico. O que foi exatamente essa vivência?

Léo – A vivência do corpo-lúdico é uma vivência de experimentação da expressão corporal. O Marco Aurélio, que é o facilitador da vivência, usou instrumentos para fazer a atividade de forma lúdica. Ele fez uso de bambolês e de algumas coisas que iam ser trabalhadas em grupo, sempre voltada para a percepção de si e a percepção do outro através da experiência corporal. Foi muito interessante e teve uma adesão boa. Eu estava um pouco em dúvida se ia ter adesão às vivências porque é um espaço, público, as pessoas iam se expor. Mas foi muito legal, a participação foi boa, as pessoas saíram sorridentes das vivências.

Como foi a participação das pessoas na atividade do Corpo lúdico?

Léo – Eu chamo a atenção para o fato de que essa atividade abriu o Festival. Então, tinha o desafio de ser a primeira atividade no começo da tarde. Assim, as pessoas que estavam por ali, participaram de uma maneira não verbal. Isso amplia ainda mais a participação das outras pessoas e fortalece o visual estético. Então, quem estava de fora olhava os bamboleios, as pessoas circulando no centro do palco.

Houve também as encenações. Como é que foi esse grupo de vivência?

Léo – A vivência teatral foi feita por mim e a minha parceira da Anankê. Usamos algumas técnicas do psicodrama e a nossa ideia era fazer algo que servisse de aquecimento, porque, logo depois, teria uma roda de conversa.  A gente trouxe o tema como é um cuidado em liberdade e qual é o drama do sofrimento de alguém que está circunscrito numa instituição, preso. A gente trouxe isso numa vivência teatral que foi surgindo. Então, tínhamos o muro, tínhamos o dentro e tínhamos o fora. O que fazer?  O grupo que se propôs a participar da vivência, acha a solução para esse impasse. A solução que o grupo quis foi derrubar o muro.

Depois houve a roda de conversa com o letramento antimanicomial. Como foi essa atividade?

Quando a gente escreveu esse projeto no FAC, nós fomos aprovados com a pontuação máxima em todos os quesitos. Ficha técnica, competência da equipe, meta, planejamento, planilha, desdobramento, tudo. Em um quesito a gente tirou cinco pontos e fomos desclassificados, nos tornando inaptos. A justificativa foi que o evento, apesar de ter um grande impacto, não era cultura. Ele não deveria estar na área da cultura, e sim da saúde porque envolvia profissionais da saúde, o que é um absurdo. É um evento que, basicamente, tem atrações culturais, exposição de artistas, atividade de bordado, de samba, teatro de rua, estandartes, uma banda só de manifestações populares. Esse já foi um primeiro indício de que a lógica manicomial ainda existe em todas as camadas da nossa sociedade. É a lógica que quer segregar, excluir, que quer fragmentar o cuidado e, principalmente, apagar, invisibilizar essas pessoas, esse trabalho. A gente conseguiu entrar com um recurso que foi aprovado.

Depois, numa primeira reunião ampliada com todos os coletivos e alguns outros convidados que a gente queria que participassem do evento, um representante de uma instituição, sugeriu que a gente não utilizasse o termo “antimanicomial” porque era um termo muito pesado e que isso faria com que as pessoas se afastassem ou julgassem mal o trabalho que a gente faz.

A partir desse momento, a gente entendeu que era preciso primeiro fazer um letramento sobre o que é antimanicomial. O que a gente busca com isso? O que é a lógica de um tratamento humanizado, em liberdade? O importante é que a gente lute por ela, que não volte a ser como já foi um dia, para que não se naturalize e, principalmente, para que isso não ressurja com uma fachada diferente, com uma outra maquiagem.

 O que a gente prega dentro da luta antimanicomial é que o sujeito seja levado em conta, apesar das suas diferenças. Eu funciono psiquicamente de uma outra forma. É diferente do que a maioria que está por aí. Mas e aí, eu não sou cidadão, não sou levado em conta, minha fala não tem peso, por que tenho um funcionamento psíquico diferente?

Durante o Festival, houve várias apresentações culturais.  Quais você destacaria?

As apresentações aconteceram em sequência, todas nas tendas que a gente montou na Praça de Alimentação. Nós disponibilizamos ali alguns sofás, cadeiras, montamos a estrutura do palco. Nas tendas laterais também tinha mais cadeiras. Todas as apresentações, inclusive a Roda de Conversa, aconteceram nessas tendas principais. No sábado, logo depois da Roda de Conversa, entrou um primeiro bloco de apresentações, com o Maluco Voador, a Companhia Atravessa a Porta, e o Bloco do Rivotril. O Maluco Voador e Companhia Atravessa a Porta são do Capes Paranoá.

As apresentações aconteciam uma depois da outra, mas interagiam entre elas. Então, não foi acabar uma apresentação e começar outra, mas sim algo mais orgânico. A ideia era apresentar uma ou duas músicas. Para encerrar o dia, houve a apresentação da Rataria Lunática, que é uma fanfarra circense teatral. Essas foram as apresentações durante o sábado. Começaram por volta de quatro da tarde e terminaram às sete. Foram três horas de apresentação. Foi o tempo todo muito dinâmico, com uma montagem muito rápida e em público, fazendo isso para adequar o espaço para cada apresentação.

A roda de conversa, acho importante mencionar aqui, além de ter uma participação massiva, a gente também conseguiu reunir ali, pessoas bem relevantes do Distrito Federal, como o deputado Fábio Félix, a representante da Subsecretaria de Saúde Mental, representantes do CAPS Paranoá, da Inverso, da Anankê. A gente teve muita participação também de pessoas trans que estavam por ali e usuários do serviço de saúde. Eu acho que esse foi um momento comovente. A gente falando sobre as questões do tratamento em liberdade, de letramento antimanicomial e as pessoas trazendo a experiência que elas tiveram. Por serem usuárias, algumas agradeceram por hoje ter um SUS que oferece CAPS, que oferece um tratamento mais humanizado, e outras que passaram por um processo manicomial. Pessoas que foram à força ou enganadas, levadas para instituições de tratamento, que viveram experiências muito ruins lá dentro, e conseguiram outros cuidados depois, mas que passaram por situações traumáticas em instituições manicomiais.  As rodas de conversa foram muito ricas nesse sentido.

Márcia – O que achei de muita potência nas rodas de conversa é que, de fato, elas foram inclusivas. É um lugar de grande circulação e é um lugar também de concentração de muitas pessoas em vulnerabilidade e essas pessoas participaram da roda de conversa e tiveram a sua voz e foram ouvidas. Não só foram ouvidas, mas foram incluídas no espaço de fala. Então, no sábado, depois das pessoas “oficiais” falarem, abriram a roda e a primeira pessoa que pegou o microfone foi uma pessoa catadora de latas.

Eu achei genial essas participações e conseguimos, de fato, incluir. A gente conseguiu visibilizar o que a sociedade tenta invisibilizar. Então, aquelas pessoas todas invisibilizadas tiveram voz, foram vistas, pegaram o microfone e falaram.

O domingo começou com a percussão popular. Essa vivência já teve outra característica, diferente daquela de sábado. O que foi essa vivência?

 Essa vivência do domingo foi conduzida pelo Akimin. Ele é um músico-percussionista popular, que se utiliza de ritmos de matriz africana, afro-brasileira. Ele realiza trabalhos em diversas instituições e faz parte também de uma instituição afro-cultural. A oficina dele foi muito interessante por ter sido muito interativa. Ele chegou, disponibilizou os instrumentos e foi chamando pessoas, distribuindo instrumentos e orquestrando. A ideia era que as pessoas pudessem tocar o que já soubessem, e experimentar ritmos que ele estava levando, mas também incluir pessoas que ainda não tinham contato ou sem grandes habilidades instrumentais. Então, lá na hora, tinha criança no meio da brincadeira. Parecia mesmo uma brincadeira, vamos dizer assim, ou um brinquedo, como o pessoal da cultura popular chama.

Foi uma oficina muito divertida e foi também uma preparação para o que viria na sequência, que foi a apresentação do CAPS Paranuê. Foi uma cadência de apresentações dessa linha afro-brasileiraO CAPS Paranauê é uma atividade de capoeira que acontece lá no CAPS do Paranoá. Foi um trocadilho, porque tem a música bem famosa da capoeira, que é o Paranauê, Paranauê. Aí fizeram esse trocadilho. Então, tem uma atividade lá que já acontece há alguns anos, que é conduzida pelo Antônio. Eles são do grupo Beribazu. Ele promove atividades de capoeira, oficinas de capoeira e de musicalização a partir da capoeira, lá dentro do CAPS, para os usuários do CAPS. Eles levaram para o festival, uma roda de capoeira, meio roda, meio apresentação.

Eles tocaram, cantaram e depois abriram a roda e o jogo para todas as pessoas que estavam ali. Aí teve a participação do Akimin, que estava por lá na oficina de percussão, o pessoal da Beribazu e alguns outros convidados, como o Marcos Valente, que é do Instituto Folha Seca e o próprio Marco Aurélio, que é da oficina de corpo, estava lá. Ele também é percussionista. Foi uma roda bem grande, um momento bem cheio de gente até não poder mais.

Márcia – Foi difícil parar essa roda porque a vontade era que ficasse mais pouco, mais pouco. Depois da roda de capoeira, foi a roda de conversa do domingo, falando do tema, exatamente da convivência como um dispositivo de cuidado na saúde mental. Foi mais uma vez uma roda muito grande, muito potente, mesmo, e ainda com mais pessoas do que a de sábado. A gente colocou todas as cadeiras para fora.  Estava muito, muito cheio.

Vocês destacaram essa convivência como cuidado e saúde mental. Eu achei esse tema muito importante. O que você, Léo, poderia comentar sobre esse tema escolhido?

Léo – Esse tema é o elo principal de todas as instituições que tiveram ali presentes. Todos nós ali trabalhamos com a convivência como dispositivo de cuidado. Promovendo a convivência, promovendo a oportunidade de que os usuários, as pessoas, protagonizem, interajam, protagonizem, tenham seu espaço junto a outras pessoas que também exercem esse protagonismo, que tragam ou apresentem seu potencial criador, que é um potencial de cuidado.

Quando você tem voz, quando você tem sua capacidade criativa valorizada, quando você tem espaço para experimentar, para se reinventar, para expor seu sofrimento também, sua condição diferente e isso ser validado e ser tratado como parte de um processo humano e não algo que venha a excluir. A partir disso também, as riquezas que se traz quando você é mais sensível às condições humanas. Então, a convivência como um cuidado é a nossa prática.

Eu trabalho no Centro de Convivência da Anankê, que é uma hospital-dia que tem um Centro de Convivência. Outras instituições que tiveram com a gente também, a Inverso, que é um Centro de Convivência, uma ONG, independente, aqui na Asa Norte. A gente teve também a Alessandra Rizzi, que é uma das organizadoras do Encontro da Arte, que também promove um espaço de convivência entre diversas instituições e atores. Essa temática foi inspirada na tese de doutorado de uma pessoa, uma mulher que é a Artenienessa, que tem um olhar mais aprofundado ainda sobre a convivência como dispositivo de cuidado. O Festival em si explicita o quanto que a convivência pode ser um dispositivo de cuidado. Quando a gente cria um ambiente com atenção a isso, atento ao que está sendo produzido, atento às relações que estão sendo estabelecidas, atento às sutilezas que atravessam nossas relações enquanto pessoas, a quem a gente dá a voz, a quem a gente potencializa a voz, ainda que as estruturas precisem de uma organização. Essa organização precisa de uma ordem, que não precisa ser autoritária, não precisa ser uma hierarquia de poder e sim de organização.

Márcia – A gente é um ser social, a gente viu isso recentemente com a pandemia, como foi difícil o isolamento, como foi difícil ficar sem contato mais ampliado. As pessoas tinham que ficar com seus contatos menores e só familiares. Então, a gente percebeu na pele muito o que é isso, coisas que a gente sabia na teoria. Quando a gente propõe a convivência como um espaço de cuidado porque é um espaço que tem um potencial enorme de vida.

Houve o momento do palco aberto, o Desconhecido e o Manifesto. O que rolou nesses momentos?

Léo – O Desconhecido é o nome de uma companhia teatral que a gente criou aqui dentro do Anankê em 2003. A gente tinha o teatro enquanto oficina terapêutica, e as coisas ficavam aqui dentro. Chegou a um ponto que a gente achou que era de uma beleza e de uma potência que merecia ser mostrado. A companhia teatral era para levar as produções teatrais para fora da clínica. A gente levou para os teatros da cidade, a gente viajou com a companhia teatral em alguns momentos. Assim, a gente teve uma circulação bastante boa, mas fechamos de novo na pandemia. Acabamos com a oficina de teatro, porque não dava para fazer teatro e isolamento, são coisas que não se combinam e voltamos em 2023. A cena preparada para esse festival foi a morte da normalidade. A criação é toda coletiva o tempo inteiro. Então, foi criada a cena de uma terapia de casal, onde a normalidade, nesse contexto do que é a normalidade, tinha morrido, estava dando conta. Então, a gente deu uma invertida na ordem.  Não foi o casal que sucumbiu e nem o terapeuta. Aí veio o manifesto. Entre um e outro, a gente teve esse momento Palco Aberto. Existem diversos modelos Palco Aberto por aí afora. Na Torre, durante muito tempo, aconteceu um Palco Aberto de circo, a gente vê palco aberto de poesia.

Então, uma vez por semana na Anankê, a gente tem essa atividade chamada Palco Aberto, que é mais um dos momentos em que a gente quer trabalhar a expressão das pessoas e tentando romper, mais uma vez, o silenciamento, estimulando uma exposição. Que a pessoa venha ao centro, que a pessoa pegue o microfone. Então, ela que se prontifique a trazer algo. Geralmente, a gente monta um tapetinho, um microfone, alguns instrumentos, as cadeiras para o público, e as pessoas vão levando poema, música, às vezes um karaokê. Então, a gente resolveu fazer esse momento lá na Torre de TV. Houve umas cinco ou seis apresentações de pessoas que se inscreveram na hora para participar, qualquer pessoa que estava ali. Teve criança, teve dupla, teve dança, teve música. Depois, para encerrar esse momento, a gente voltou com a apresentação do Manifesto.

O que foi o Manifesto?

Márcia – O Manifesto é uma intervenção cênica, mas de expressão corporal, sem espaços de diálogo. É uma intervenção grupal. O Manifesto foi algo que a gente criou na Anankê, É espaço de corpo, o corpo lúdico, que trabalha com a expressão corporal. A gente criou o Manifesto em 2010, mas ele é atemporal. Ele fala da luta para não deixar transformar mais uma lei em letra morta. É na cidade que vivemos, amamos e sofremos.

Assista ao vídeo Festival Viramumdo

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Celio Calmon

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