Por: Cláudia Braga – OutraSaúde – Diagnosticam-se cada vez mais transtornos psíquicos: o fenômeno já é muito conhecido – e criticado. Mas é preciso entendê-lo mais a fundo. Por que tantos desejam estes rótulos? O que isso diz sobre a cultura de psiquiatrização da vida?
Leandro tinha 15 anos quando estava em sua quarta internação em um hospital psiquiátrico; a última por determinação da Justiça e, segundo ele, feita a seu pedido. Morador de uma cidade pequena, não tinha notícias da mãe. Do pai, nunca soube. Morava com a avó, que, ao longo de um período de mais de quatro meses, foi visitá-lo apenas uma vez na instituição.
O risco de um diagnóstico psiquiátrico Não é de hoje que a patologização da vida vem sendo denunciada. Desde pelo menos 2017, o movimento social pela Despatologização da Vida vem alertando e debatendo os problemas da ampla atribuição de diagnósticos psiquiátricos a experiências próprias da vida. Crianças distraídas tornam-se crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Crianças que se indignam passam a ser lidas como expressando um Transtorno Opositivo Desafiador. E assim por diante. Mais recentemente, passaram a compor esse debate as discussões sobre a patologização de sofrimentos sociais.
Leia a matéria completa – 18/12/2025






