Por: Mad in Brasil e Outra Saúde – Indústria farmacêutica, psiquiatria tradicional e redes sociais influenciam a juventude a definir sua identidade pelo uso de remédios – assumindo-se “ansiosos” ou “depressivos”. Para Robert Whitaker, Fiocruz pode construir novo paradigma que enfrente essa visão.
O rápido crescimento dos diagnósticos psiquiátricos e do uso de medicamentos antidepressivos no Brasil, apresentado como uma resposta à crise de sofrimento psíquico, não pode ser chamado de um consenso na sociedade. Se, por um lado, a indústria farmacêutica e a psiquiatria tradicional defendem essa proposta, o movimento antimanicomial e a reforma psiquiátrica propõem que é possível desmedicalizar a saúde mental – oferecendo alternativas a partir da arte, cultura, trabalho, renda, esporte e outras práticas de cuidado em liberdade.
Autor de livros como Anatomia de uma Epidemia (Editora Fiocruz, 2017), Desmedicar — A Luta Global Contra a Medicalização da Vida (Zagodoni, 2024) e Psychiatry Under the Influence (ainda sem tradução para o português), o jornalista Robert Whitaker acredita que há um novo desafio para o debate crítico sobre o tema: “As redes sociais transmitem e difundem essa ideia de que os jovens devem se ver através das lentes dos diagnósticos. Isso é realmente desencorajador. Quando você começa a se entender a partir desse ângulo, o diagnóstico lentamente passa a ser sua identidade. Passa a definir como será o seu futuro, como será sua resposta a momentos difíceis. É uma coisa triste ver até mesmo crianças se entendendo através dessa lente patologizante”.
Leia a matéria completa – 17/11/2025







