Por: Igor Matheus – Como a cidade litorânea liderou uma transformação histórica no tratamento psiquiátrico e deu voz para quem era invisível.
Era madrugada de 2 de maio de 1989 quando a equipe da prefeitura de Santos, liderada pela então prefeita Telma de Souza, chegou à porta do Hospital Anchieta, na Vila Belmiro. O que aconteceria nas horas seguintes não apenas mudaria a vida de centenas de pacientes, mas daria início a uma revolução na saúde mental brasileira que ecoa até hoje.
O horror escondido na Vila Belmiro
Enquanto o Santos FC celebrava suas glórias no estádio vizinho, a poucos metros dali funcionava um dos manicômios mais infames do País. Projetado para 60 pacientes, o Anchieta chegou a abrigar mais de 500 pessoas entre 1986 e 1989, em condições que ex-internos descreveram como “piores que o DOI-CODI” e “piores que presídio”.
O que começou em 1951 como um centro modelo de tratamento psiquiátrico se transformou, ao longo das décadas, em um depósito de gente. Torturas com choques elétricos, agressões físicas e uso abusivo de medicamentos eram rotina. A superlotação chegou a extremos alarmantes: mais de 600 pessoas onde cabiam 240, com pacientes literalmente largados no chão. Para 700 internos, havia apenas uma assistente social e uma psicóloga.
Leia a matéria completa – 03/01/2026






