Por: Luna Campos – Mad in Brasil. O movimento antimanicomial no Brasil levou à criação de uma rede nacional de centros comunitários, que contrasta com o sistema de saúde mental falido dos Estados Unidos.
“Eu definhei no seguinte regimento: cela acolchoada. Injeção para dormir. Violência dos enfermeiros. Cela acolchoada novamente. Mais violência dos enfermeiros. Cela acolchoada (às vezes dormindo no cimento frio). E assim por diante. Fuga.” Em seu livro de memórias de 1965, Hospício É Deus, a escritora brasileira Maura Lopes Cançado relata a rotina diária de abusos, medicalização forçada, isolamento e humilhação que sofreu em vários hospitais psiquiátricos.
O livro, uma obra pioneira que denuncia as condições dos manicômios no Brasil, está repleto de muitos outros relatos angustiantes dos maus-tratos infligidos aos pacientes nas diversas instituições onde Lopes Cançado residiu ao longo de sua vida.
Ela descreve médicos, enfermeiros e auxiliares usando terapia de eletrochoque como retaliação contra pacientes, incluindo ela mesma, apesar de seu histórico anterior de epilepsia ser uma contraindicação. Auxiliares repreendendo e humilhando pacientes. Confinamento solitário frequente imposto como punição. Sedativos administrados sem necessidade. Fome e frio crônicos. Ela até menciona um psiquiatra que, ao interromper sua sessão com outro médico, diagnosticou-a com uma “personalidade psicopática” sem nunca ter falado diretamente com ela.
Leia a matéria completa – 24/10/2025







