Internação compulsória o retorno do “cemitério dos vivos”

Por Paulo Amarante* e Clara Fagundes**CEBES Retomada da internação involuntária em Santa Catarina multiplica contratos milionários com clínicas e fecha o cerco à população “indesejada”.

A defesa da internação compulsória reaparece ciclicamente no debate público como solução rápida para situações complexas envolvendo sofrimento psíquico, uso abusivo de drogas e pobreza. Chapecó/SC ganhou o noticiário nacional ao promover internação compulsória de pessoas em situação de rua.

O prefeito João Rodrigues estendeu a truculência aos profissionais da Saúde que ousaram questionar o modelo de atendimento e fiscalização. A “solução final” para a questão dos moradores de rua foi inspiração para munícipios como Joinville, multiplicando os contratos milionários com clínicas privada de internação. Em julho de 2025, o governador de Santa Catarina sancionou a Lei 19.380, criando um cadastro estadual de pessoas em situação de rua. O sistema usa tecnologia de reconhecimento facial e GPS para identificar, monitorar e capturar os potenciais pacientes.

A Reforma Psiquiátrica demonstrou que as pessoas em situação de rua muitas vezes estão nessa condição pela perda de relação social, de desorientação no sentido político, social, perda de contato. É “desfiliação”, como dizia Roberto Castel: perda de vínculos sociais, perda de direitos, perda de possibilidades. O que se observa em Santa Catarina é um movimento de contrarreforma psiquiátrica que retoma os pressupostos do higienismo social.

Leia a matéria na integra – 26/02/2026

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Celio Calmon

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